Florbela Espanca Edvard Munch Frida Khalo
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Ódio
Ódio por Ele? ... Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto,
Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar,marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Com um soturno e enorme Campo Santo!
Nunca mais o amar já é bastante!
Quero senti-lo doutra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!
Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda!
Ódio por Ele?... não vale a pena...
Floberla Espanca
Rústica
Ser a moça mais linda do povoado,
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A benção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
- Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como pura como as águas da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...
Meu Deus,dai me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.
Florbela Espanca
A um Moribundo
Não tenhas medo, não! Tranquilamente,
Como adormece anoite pelo Outono,
Fecha os teus olhos, simples, docemente,
Como, à tarde, uma pomba que tem sono...
A cabeça reclina levemente
E os braços deixa-os ir ao abandono
Como tombam, arando, ao sol poente,
As asas de uma pomba que tem sono...
O que há depois? Depois?... O azul dos céus?
Um outro mundo? O eterno nada? Deus?
Um abismo? Um castigo? Uma guarida?
Que importa? Que te importa, ó moribundo?
- Seja o que for, será melhor que o mundo!
Tudo será melhor que esta vida! ...
Floberla Espanca
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Visões da Guerra
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Congresso Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo,que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo o grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
(Carlos Drummond de Andrade)
Lasar Segall
"Uma única morte é uma tragédia; um milhão de mortes é uma estatística. "
Stalin
Stalin
Stalin
"Dei uma ordem clara para que vidas humanas fossem poupadas
- mas desde que não resistissem."
"Mr. Churchill pode crer na sua vitória. Eu não duvido da nossa.
E o destino dirá quem está certo."
Hitler
![]() |
| Pablo Picasso - Guernica E não há mais guerra,
pois não há mais mundo,
E as lágrimas começam a descer.
Sim, eu minto, chorando no chão.
The War Drags On
|
"E talvez chegará o grande dia em que um povo, notável
por guerras e vitórias e pelo mais alto desenvolvimento de uma ordem e
Inteligência militares, e acostumado a fazer os mais altos sacrifícios por
essas coisas, exclamará livremente: 'Nós quebramos a espada!' - e com isso
destruirá suas organizações militares até seus mais profundos fundamentos.
Tornar-se desarmado quando se foi o mais bem armado, a partir de um sentimento
- esse é o meio para a paz real, que deve descansar sobre a paz de espírito.
Antes perecer que odiar e temer, e duplamente antes perecer que fazer-se odiado
e temido - essa deveria se tornar, algum dia, a máxima suprema para cada
povo."
(Nietzsche)
(Nietzsche)
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Nietzsche
Nietzsche e Marilyn Manson
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Todas as palavras não foram feitas para os que são pesados? Não mentem todas as palavras ao que é leve ? Canta! Não fales mais!"
Oh! Como não haverá de estar ansioso pela eternidade, ansioso pelo nupcial anel dos anéis , pelo anel do regresso?
Nunca encontrei mulher de quem quisesse ter filhos, a não ser esta mulher que amo, porque te amo, ó eternidade!
Porque te amo, ó eternidade!
Zaratustra
domingo, 4 de agosto de 2013
Vulcano
Milton (Paraíso Perdido)
Caiu do amanhecer ao meio-dia,
Do meio-dia até a noite vir.
Um dia inteiro de verão, com o sol
Posto, do zênite caiu, tal como
Uma estrela cadente, na ilha egéia
De Lenos.
Milton (Paraíso Perdido)
Saturno
As representações de Saturno não são muito consistentes; de um lado, dizem que seu reino constituía a idade de ouro da inocência e da pureza, e por outro lado, ele é qualificado como um monstro, que devorava os próprios filhos.
(Essas inconsistências vem do fato de se confundir o Saturno dos romanos com a divindade Cronos (Tempo) dos gregos, que, como traz um fim a todas as coisas que tiveram um começo, é acusada de devorar a própria prole).
Thomas Bulfinch
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Kahlil Gibran e Edvard Munch
"To understand the heart and mind of a person, look not at what he has already achieved, but what he aspires to."
"There must be something strangely sacred about salt. It is in our tears and in the sea."
"Life without Liberty is like a body without spirit. Liberty without thought is like a disturbed spirit ... Life, liberty, and thought — three persons in one substance, eternal, never-ending, and unceasing."
"I have found both freedom and safety in my madness; the freedom of loneliness and the safety from being understood, for those who understand us enslave something in us. But let me not be too proud of my safety. Even a Thief in a jail is safe from another thief."
Kahlil Gibran
Ainda ontem pensava que não era
Ainda ontem
pensava que não era
mais do que
um fragmento tremulo sem ritmo
na esfera da
vida.
Hoje sei que
sou eu a esfera,
e a vida
inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.
Eles dizem-me
no seu despertar:
" Tu e o
mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a
margem infinita
de um mar
infinito."
E no meu
sonho eu respondo-lhes:
"Eu sou
o mar infinito,
e todos os
mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha
margem."
Só uma vez
fiquei mudo.
Foi quando um
homem me perguntou:
"Quem és
tu?"
Perguntais-me como me tornei louco.
Aconteceu assim:
um dia, muito tempo antes
de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo e notei que todas
as minhas máscaras tinham sido roubadas
- as sete máscaras que eu havia confeccionado
e usado em sete vidas -e corri sem máscara pelas
ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram
para casa, com medo de mim E quando cheguei à praça
do mercado, um garoto trepado no telhado de uma
casa gritou: "É um louco!".
Olhei para cima, pra vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e
minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e não desejei mais minhas máscaras. E, como num
transe, gritei:
"Benditos, bendito os ladrões
que roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:
a e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual
que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
Aconteceu assim:
um dia, muito tempo antes
de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo e notei que todas
as minhas máscaras tinham sido roubadas
- as sete máscaras que eu havia confeccionado
e usado em sete vidas -e corri sem máscara pelas
ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram
para casa, com medo de mim E quando cheguei à praça
do mercado, um garoto trepado no telhado de uma
casa gritou: "É um louco!".
Olhei para cima, pra vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e
minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e não desejei mais minhas máscaras. E, como num
transe, gritei:
"Benditos, bendito os ladrões
que roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:
a e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual
que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
terça-feira, 30 de julho de 2013
Virgínia Woolf
"Vocês, que são de uma geração mais jovem e mais feliz, talvez não tenham ouvido falar dela – talvez não saibam o que quero dizer com o 'Anjo do Lar'. Vou tentar resumir. Ela era extremamente simpática. Imensamente encantadora. Totalmente altruísta. Excelente nas difíceis artes do convívio familiar. Sacrificava-se todos os dias. (...) Em suma, seu feitio era nunca ter opinião ou vontade própria, e preferia sempre concordar com as opiniões e vontades dos outros. E acima de tudo – nem preciso dizer – ela era pura. Sua pureza era tida como sua maior beleza – enrubescer era seu grande encanto. Naqueles dias (...) toda casa tinha seu Anjo. E, quando fui escrever, topei com ela já nas primeiras palavras. Suas asas fizeram sombra na página; ouvi o farfalhar de suas saias no quarto. Quer dizer, na hora em que peguei a caneta para resenhar aquele romance de um homem famoso, ela logo apareceu atrás de mim e sussurrou: 'Querida, você é uma moça. Está escrevendo sobre um livro que foi escrito por um homem. Seja afável; seja meiga; lisonjeie; engane; use todas as artes e manhas de nosso sexo. Nunca deixe ninguém perceber que você tem opinião própria. E principalmente seja pura.'"
Momento Virgínia Woolf:
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segunda-feira, 29 de julho de 2013
Nietzsche e Gustave Doré
Neophyte
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Neophyte
Todos os novos convertidos
Deixando de ser descomprometidos,
Com um olhar de medo
em frente ao desconhecido...
Sentem-se vivos!
Embora aparentemente
desfalecidos,
Sobre o interior não há nada
a dizer...
Seria como um predizer.
Um ar de morte e angústia
Impregnado na sacristia,
Será porque tanta dúvida?
Uma vida não vivida, talvez!
Uma morte garantida...
Aquela em vida!
Bocas a dizer:
- Pertenço ao paraíso.
O além-mundo espera-me
Logo serei pó,
É hora da filantropia;
Com uma misantropia a
gritar.
- Sei o que desejo
Acredito neste
amor sobejo;
que tudo pode e
realiza.
Não há aqui o
que hostilizar.
O que palavras podem?
O que são explicações?
Quando se acredita em
vocação;
Nem percebem que há
uma niilificação humana!
Empyrean
domingo, 28 de julho de 2013
Dita Von Teese em palavras...
"Quando você vai trabalhar em um lugar desse tipo, tem que escolher um nome diferente do seu para manter esse clima de mistério e anonimato"

"Há momentos que forçaram a nós, mulheres, a sermos mais masculinas. O melhor disso é que hoje nós podemos aprender a como se entregar à nossa feminilidade e ao mesmo tempo nos sentirmos verdadeiramente poderosas. É assim que eu vejo a feminilidade: como uma forma de esconder o poder'.
"Quando você vai trabalhar em um lugar desse tipo, tem que escolher um nome diferente do seu para manter esse clima de mistério e anonimato"
Mulheres gastam muito tempo pensando sobre os homens.
"Sou como todo mundo. Não sou confiante o tempo todo, também tenho dúvidas sobre mim mesma. Eu tento me amar e aceitar as coisas que não gosto em mim e acho que é importante para todas as mulheres saberem que todas nós sentimos isso".
O que eu estou tentando fazer é algo completamente novo para mim, uma evolução pessoa, estou trazendo novas tecnologias mais interessantes que vão transformar meus shows em algo mais generoso e liberal do que qualquer coisa que o burlesco já viu.”

"Você pode ser o pêssego mais maduro, mais saboroso do mundo, eles ainda vão ser alguém que odeia pêssegos."
"Podemos não nascer naturalmente bonitos, mas podemos criar glamour e elegância."
" Nem todas nós, mulheres, incluindo a mim, podemos aspirar parecer com alguém como Gisele Bündchen. Eu nunca poderia parecer com ela, mas posso ser sexy da minha própria maneira".
" Corseletes e lingeries são algo que você pode usar e se livrar deles se quiser e quando quiser. Tem tudo a ver com ter a opção".
"O inimigo mais terrível é aquele que já foi nosso amigo, pois conhece as nossas fraquezas".
Engana-se o homem que pensa que o sonho de toda mulher é encontrar o príncipe encantado. O sonho de toda mulher é comer sem engordar!
"Pensando bem, gostei de ser aquilo que gostaria ser".
"Há momentos que forçaram a nós, mulheres, a sermos mais masculinas. O melhor disso é que hoje nós podemos aprender a como se entregar à nossa feminilidade e ao mesmo tempo nos sentirmos verdadeiramente poderosas. É assim que eu vejo a feminilidade: como uma forma de esconder o poder'.
"Todos nós podemos escolher a maneira como queremos que o mundo nos veja!"
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Esta poesia sobrepuja todos os argumentos da terra... como suportar este terrível Nunca Mais?
O corvo
O corvo
Era meia-noite fria; e eu, débil e exausto, lia
alguns volumes de vagos saberes primordiais.
E, já quase a adormecer, ouvi lá fora um bater
como o de alguém a querer atravessar meus portais.
“É um visitante que intenta atravessar meus portais” –
pensei. – “Isto, e nada mais!”
Tão claramente me lembro! Era o gelo de dezembro;
e o fogo lançava – lembro – no chão manchas fantasmais.
Pela aurora eu suspirava e nos livros procurava
esquecer a que ora errava entre as legiões celestiais –
aquela que hoje é Lenore entre as legiões celestiais,
sem nome aqui por jamais.
E o mover suave e magoado do ermo, roxo cortinado
me deprimia e me enchia de terrores espectrais;
de modo que eu, palpitante, calando o peito ofegante,
repetia: “É um visitante que vem cruzar meus portais,
um visitante, somente, que vem cruzar meus portais.
Isto apenas – nada mais.”
Então minha alma ganhou força e não mais hesitou.
“Senhor” – eu disse – “ou senhora que lá fora me chamais.
Mas, porque eu quase dormia, mal ouvi que alguém batia,
que com sossego batia e discrição tão iguais,” –
murmurei, abrindo a porta – “que ao silêncio eram iguais.”
E vi treva, nada mais.
A escuridão perquirindo, lá fiquei, tremendo, ouvindo,
sonhando, em dúvida, sonhos que mortal sonhou jamais.
Mas o silêncio insistia, e a calma nada dizia,
e a única voz que eu ouvia eram meus profundos ais
e o nome dela entre os ecos dos meus repetidos ais.
Só isto, só, nada mais.
Ao cômodo retornando – minha alma em mim se incendiando –,
ouvi de novo mais forte baterem aos meus umbrais.
“É alguém que bate, lá fora, à minha janela agora
e entrada talvez implora” – pensei, e busquei sinais. –
“Acalma-te, coração, pois que são estes sinais
só o vento e nada mais.”
E então abri a janela, e eis que penetrou por ela
na câmara um nobre Corvo desses de eras ancestrais.
Entrou sem deferimento, sem fazer um cumprimento,
dama ou lorde pachorrento, e pousou sobre os umbrais.
Pousou num busto de Palas que havia sobre os umbrais,
pousou lá, e nada mais.
Frente à ave preta, surpresa, sorriu-se a minha tristeza,
vendo o seu grave decoro e os seus ares senhoriais.
“Sem crista embora, e tosado,” – disse eu – “pareces ousado,
duro e antigo Corvo, nado dos noturnos litorais.
Dize-me o teu nobre nome lá nos negros litorais!”
E ele disse: “Nunca mais.”
Meu espanto foi tremendo tais palavras entendendo
(apesar de sem sentido) que ele disse, naturais.
E quem não teria achado que um homem ter avistado
um pássaro assim pousado por cima dos seus umbrais
é grande espanto, ainda mais no busto sobre os umbrais,
com o nome de “Nunca mais”?
Porém a ave ali quieta nada mais disse, discreta,
como se a alma toda desse nesses ditos essenciais.
E nada mais pronunciou, nenhuma pena agitou,
até que de mim saltou: “Amigos já não tem mais.
Na manhã, como os meus sonhos, aqui não estará mais.”
E o Corvo então: “Nunca mais.”
Atônito, ouvindo aquilo que ele enunciara, intranquilo
eu disse: “É tudo o que sabes, e mais adiante não vais.
É o que no passado ouviste de algum dono a cujo triste
destino acaso assististe com teus olhos penumbrais –
e cuja dor se exprimia nas sílabas penumbrais
do teu bordão: ‘Nunca mais.’”
Mas, sem dele desistir, voltou minha alma a sorrir;
e uma poltrona arrastei para junto dos umbrais.
E, então ali me assentando, uns aos outros fui juntando
mil devaneios, pensando na ave de eras ancestrais,
na lenta, negra, agourenta ave de eras ancestrais
que dizia “Nunca mais”.
Lá fiquei, a cogitar, sem um dito endereçar
à ave, cujos olhos fixos em meu peito eram punhais;
lá fiquei, absorto e mudo, pendida sobre o veludo
a cabeça em tal estudo, sob as luzes espectrais –
o veludo que Lenore, entre as luzes espectrais,
não tocará nunca mais.
Supus que o ar ficou mais denso de algum ignorado incenso
que os serafins esparzissem com passos angelicais.
“Teu Deus” – me disse – “gerou-te; pelos seus anjos mandou-te
o esquecimento, e aliviou-te de tuas dores brutais!
Bebe o nepente e te esquece de tuas dores brutais!”
Disse o Corvo: “Nunca mais.”
“Profeta ou demônio” – eu disse – “que uma asa negra vestisse!
Se foi a procela ou o diabo quem te trouxe aos meus portais;
se nesta terra arrasada, deserta, agra e amaldiçoada,
se nesta casa assombrada pelo horror, de que não sais,
existe alívio – eu te indago, a ti que daí não sais!”
Disse o Corvo: “Nunca mais.”
“Profeta ou demônio” – eu disse – “que uma asa negra vestisse!
Pelo alto Céu que nos cobre, pelo bom Deus dos mortais,
dize a esta alma – te conjuro – se nalgum Éden futuro
ela há de rever o puro ser que agora não vê mais,
de Lenore o ser radiante e puro que não vê mais.”
Disse o Corvo: “Nunca mais.”
“Que a senha do nosso adeus seja esse dito, ave ou deus!
Retorna, pois, à procela e aos noturnos litorais!
Sequer uma pluma reste a lembrar o que disseste
e que em meu tédio irrompeste! Deixa, pois, os meus umbrais!
Não biques mais o meu peito e foge dos meus umbrais!”
Disse o Corvo: “Nunca mais.”
E o Corvo não foi embora: lá ficou, lá se demora,
pousado no busto branco de Palas, sobre os umbrais,
com a aparência tristonha de algum demônio que sonha;
e a luz no piso desenha seus contornos fantasmais;
e eis que, perdida, minha alma dos contornos fantasmais
se livrará – nunca mais!
(Tradução de Renato Suttana)*
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